Como lidar com finanças quando não se tem uma entrada financeira estável e previsível? Como no sistema financeiro truculento que vivemos podemos sobreviver mantendo uma Causa viva, um ideal de servir de forma ética, transparente e suportável? Estas perguntas nos fazemos desde que iniciamos nossa jornada em 1991.
Economia Externa
Disseram-nos que quando conseguíssemos os títulos que por direito eram nossos, devido ao ardente trabalho que realizávamos em termos sociais, educacionais e humanitários, tudo seria mais fácil. “Naturalmente vocês deixarão de pagar impostos, isto é um direito, é Lei”, diziam-nos com a força dos que não sabem o que significa ser uma Organização Social verdadeira, isto é, sem apadrinhamentos ou conchavos de qualquer ordem, aqui no Brasil. Fomos à luta, em busca daquilo que nos pertencia: os títulos e suas prerrogativas. Pós inúmeras idas e vindas aos órgãos competentes, e uma imensa quantidade de papéis que provariam nosso trabalho, incontáveis reuniões com pessoas nem sempre de boa vontade, conseguimos reunir os principais títulos ou os mais conhecidos: Utilidade Pública Municipal, Estadual e Federal. Agora tínhamos os três, fomos bater nas portas solicitando imunidade e/ ou isenção de impostos. Para nossa surpresa ainda faltava mais um “o mais importante” nos disseram: o CNAS (Conselho Nacional de Ação Social). E lá vamos nós, até os ares de Brasília tivemos que cheirar. Conseguimos. E a isenção e/ou imunidade impostos ditas pela Lei? Nada! Continuamos a pagar todos os impostos, nem mesmo a Prefeitura Municipal de Simões Filho nos concedeu a isenção do ISS, sendo assim, todos os projetos e trabalhos que conseguimos realizar temos que pagar aos órgãos governamentais os 34% . Um verdadeiro non-sense, pois trabalhamos para o povo e ainda temos que pagar ao Governo uma parte do trabalho que ele deveria realizar... não sabemos até quando, mas é assim. Não vamos desistir de continuar bradando nossos direitos, mas que cansa, cansa!
Economia Interna
A Economia Partilhada é nossa forma de viver, desde o início. Esta é nossa forma de sobrevivência. Todos os meses colaboramos financeiramente falando a fim de que a Fundação possa continuar a existir e possa sustentar os inúmeros movimentos que realiza: educação, ambiental, cultural artístico, saúde popular, autoconhecimento comunitário, etc. A maior parte dos colaboradores permanentes trabalha para a instituição como voluntários. Muitos de nós, apesar de tudo que podíamos partilhar juntos como alimento, moradia, vestimentas, etc, se foram pela dificuldade em sobreviver. Descobrimos como elaborar projetos e isto nos aliviou, pois alguns deles foram aprovados e estão em curso, mas sabemos que são recursos limitados e não permanentes. Atualmente tentamos implementar nossos produtos a fim de vendê-los ( e haja burocracia e impostos!). De qualquer forma, estamos aqui, cantando, dançando, e orando por todos os que nos apóiam neste movimento e acreditam que tudo pode ser melhor, se partilharmos um pouco do que temos com os que nada têm.
E assim é.
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